20080903

Sinto

Um turbilhão de merdas surgem repentinamente no meu pensamento. Tanto que penso, tudo penso. Quando jamais pensaria sentir raiva, sentir coisas, as coisas, por mais vagas que elas vos possam parecer, eis que surgem claras e cristalinas. Quando uma ou outra letra de uma ou outra banda já não me, despertava, eis que de novo me desperta. Quando os sorrisos de nylon foram respostas às minhas perguntas. Eis que caio em mim, tentado a sair deste corpo aprisionado numa torrente de lava, livre para poder sair porta fora e correr o mundo, livre de ser amado, aprisionado no amor. Por momentos parece-me que tudo neste actual meio ambiente me persegue. Quando olho, vejo-me livre deste corpo, vejo-me de fora, para dentro, como se estivesse dentro, mas ao mesmo tempo, como um espectador que vê as coisas de fora, como se estivesse, mas de certa forma nunca estivesse estado. Como sinto toda a furia desta ou daquela melodia. Como sinto toda a harmonia desta ou daquela letra, que tardiamente traz algo. Algo que sei, mas que não pretendo saber. Como é confusa a mente humana. Como me esqueço do que queria escrever na frase seguinte por que, retrocedo e afino a frase anterior. Como não pode existir Deus no céu esta noite? Como é que pode deixar de haver céu? Porque é que em tempos conseguia ver e agora sou cego? Tudo o que era verdade foi deixado de lado. Por que tento viver os sonhos que me querem vender? Tonto, deparo-me comigo mesmo. Como é que me sinto? Como é que me sinto? Sinto-me doente. Sinto o mundo doente. Sinto a saudade, mas sinto-me em casa. Sinto que a lanterna que me ilumia, perde vigor. Sinto que a musica que ouço ganha um tempo diferente. Sinto-a a querer. Sinto medo. Sinto medo desta casa e dos reflexos que nas paredes reflectem. Sinto falta de sono, sendo três da manhã e tendo de acordar às seis. Sinto que penso que sinto, mas não sinto nada. A dormência flui dentro de mim. Sinto que as pessoas, certas pessoas quase prestam vassalagem, aguardando a oportunidade de pedir. Sinto uma certa hipocrisia dentro de toda aquela humildade. Sinto que o som está demasiado baixo. Sinto falta dos blogs que lia, mesmo de um brasileiro, apesar do português não ser o que me foi leccionado, e me causar uma certa, como poderei eu descrever...Não posso descrever.

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