20111001

A minha criança

S urge depois da estrada curvilínea. 
É quase pobre. 
Não longe o Paiva corre, indiferente; 
o argênteo caudal colmata o seu soluço 
nas sombras que das árvores se despenham. 
Prossigo a marcha pelo ínvio caminho. 
Alguém espreita pelas frestas do vento; 
a criança, guardiã eleita da morada, 
surge dos campos próximos onde se labuta. 
Traz a chave consigo. 
Sorri umas palavras inaudíveis, 
e a sua face tímida, iluminada, 
transporta a harmonia que eu persigo, 
para sempre velada e fugidia.

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