20080609

One last fix

Consciente de todos os perigos inerentes, decidiu. Aviou-se dela o quanto julgaria ser necessário. A sua persistência não era para ele, e só para ele, mais precisa.

Num velho albergue arruinado juntou dois caixotes de fruta feitos em madeira de quinta qualidade, colocando-os em posição fálica, como se dois pilares aguardassem algo que os sobrepusesse. Atroz a forma como foi obtida a porta, que arrancada à força deixou a ombreira lascada de farpas, jorrava a dor da sua ancestralidade. Despejada a porta nas colunas, estaria agora hasteado o seu altar. A ténue luminosidade era gerada três velas estrategicamente deliberadas em pontos fulcrais.

O lusco-fusco da ansiedade, já de si era horrivelmente arrepiante. Estava presente. Ele era o narrador e único protagonista desta ode. Era um cadáver. Ele não tinha vida. Ele não tinha vivido.

O breu da noite. A lua esborratada. O frio. A imensidão. A dor. A dor.

Soprou o pó, a fina poeira que jazia nos entalhos daquele nobre artefacto e com a manga da sua long sleeve remediou o que seria sustentável para aquela epopeia. A luz era difícil, e, tremia devido a uma qualquer corrente d'ar. Há um certo pragmatismo em tudo o que se torna meio envolvente.

Albergue. Abandono. Ruína. Ombreira. Velas. Sustentabilidade. Determinação. Amor, causa e paixão. Dum aleatório bolso das suas calças sacou-a, uma a uma as peças fundamentais que ergueriam o seu puzzle. Qualquer vela esterilizou seguida veio a destilação. Usou uma laranja, vulgar e ordinária. Cortada em quatro com o seu capa grilos forçou a queda de gotas, mas não são mais que as suficientes. Ferveu-a. Borbulhava e até crepitava. Tampa de cerveja continha cinco CC. Uma e meia. Meia. Uma. Duas porções d'água.

O Chef nutria os seus ingredientes. Vento. Corrente d'ar. Puxou dum cigarro, aliás, sacou dois. O primeiro foi esventrado de modo canibalesco. O seu algodão, virgem e estéril aproveitado. No espeto atingiu a caldeira. Com o espeto filtrou. Enchia-se a uma velocidade exuberante. Tinha o depósito atestado conforme se diria na gíria. D'algo que o cobria, puxou e amarrou.

Ventos gélidos. Arrepios. Vi-as agora como circulares de viação interna. Verdes. Jade. Puxou-a para cima, levantou-a e foi com firmeza que a premiu. Expeliu a demasia que nela existia, deu-lhe uns pirolitos a modo de jogo do guelas. Vácuo total. Expulsou o ar, mas sempre o vento. Guilhotinas entrincheiradas fariam jazer qualquer lirismo propenso.

Aço. Inoxidável, mas visíveis eram sequelas de alforras. Ócio cobria o vento latejante que corria entre as ameias. Uma incursão petulante. Calor. Um extremo calor provoca calafrios. Arrepia. Exaure tudo o que nela continha. Dois tempos de segundo são mais que suficientes para chegar ao supra controlo, onde as orbitas saltam como peixe dentro d'água. São os segundos mais que tudo na sua vida.

Agonia. Dor. Amor. Nostalgia. Água. Terra. Ar. Fogo. Encosta-se. Carpe momentum. Cai redundante. Todo o seu corpo está agora espalhado pelo chão, como gotículas de mercúrio. O pio da coruja esculca, escuta-se uma última vez.

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