Um olhar resplandecente reflecte o inacabado. A dor é extraviada por entre as folhas que suavemente caem da velha sequóia. Voam nas menos precisas direcções. Assiste o seu olho ao esplendor, mas embotado pelas gotas de orvalho que mutilam as rígidas laminas d'aço.
O calor e a humidade puxam a sua alma junto à dor, e num acto encandeado pela cega luz do Sol, Ícaro descende numa espiral vertiginosa a um ritmo pouco ritmado. Com as asas derretidas, a libélula cruza a vontade de um ser, esmagando e expelindo atrocidades nas leves partículas de ar.
O veleiro solta amarras. Segue a flamejante brisa vinda de sotavento. O albatroz debica cadáveres desejosos de um anseio mortal. São a praga, mas em Praga a lipotimia faz soar o velho relógio que jaz na praça central. Nele badalam doze toques quando no céu a lua se põe. Nos antípodas há agua por todo o lado. Um dantesco oceano cheio de nada, vazio e, sem nada para dar ou receber, onde o albatroz ineria de despojados alimentos vivos de morte.
Pessoas sorriem no tempo dos seus sonhos. Perseguido é o veleiro. O albatroz é colhido pela queda da ascensão onde Ícaro se debatia, martirizando assim tão vil ave palmípede, defendendo o desconhecido. Na violência efémera, são furtadas as asas a que Ícaro se fundem.
Voa agora em direcção à luz que te violentará com a agonizante dor do amor. Reflectes a necessidade de busca. Pupilas dilatam, montanhas desabam, fossas cessam. Tudo o que ama é a mordaz vontade de criar a verdade doutrem.
Sem comentários:
Enviar um comentário