20080718
Invasões inaudíveis
Todos os recursos lhe parecem limitados, a imaginação, o tacto, a forma, a dor, a vontade afectiva, a saudade permanente, e, o gosto por experimentar um sentimento apuradíssimo. A sensação é a de que, mais que produzir sons, ele modela os silêncios, mais que escrever frases, ele ergue afectos, mais que ser amado, ele deseja amar, tentando sempre construir uma estrutura lógica de improvisação, abrindo o leque aos sentimentos, estiolado e afastado por todos os momentos. Se tudo isto pudesse ser, colocado numa selada garrafa de absinto, atirada ao mar, e desejar que nunca mais voltasse aquela costa, ou mesmo que voltasse a terra, que ao menos o fizesse numa qualquer outra praia, a qualquer outra pessoa. Uma lágrima de sangue escorre no tingido véu, deixado num velho jazigo. O pranto é vestido ao entardecer, quando um anjo descende dos céus, trazendo consigo uma gélida torrente de lava. No azul frio do chão da morte, construído de gelo luzidio, vazio, em metal acre de arrepio, são devolvidas as sensações e restituídas a seu portador. Não mais lhe serão impostos limites.
Um paradigma de
Jacinto Manuel Miguel Moreira Nascimento de Oliveira Sequeira dos Santos Parreira
Por volta das
17:46:00
Intempestivo
Jacinto Parreira
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